Pesca em Arraial do Cabo

“O principal centro de pesca de arrasto na zona em estudo é o Arraial do Cabo (Cabo Frio), onde encontramos mais de cinquenta canoas e redes de arrasto e aonde há uma verdadeira organização que visa ao rodízio das embarcações, trabalhando diariamente, duas na Praia Grande e uma em cada uma das praias do Anjo, do Forno e do Farol, esta na ilha fronteira ao continente. De cada lance do arrasto participam nove homens. Destes, sete seguem na canoa, sendo quatro remadores, dois “batedores” de rede e o mestre. Em terra permanece além do vigia, o “cabeiro” que segura a “bêta” deixada quando parte a canoa. Do vigia depende, em grande parte, o êxito do lance. Cabe-lhe ficar de espia em uma elevação e avisar aos companheiros a aproximação dos cardumes. Geralmente reconhece com precisão a qualidade e a quantidade do peixe pela cor da mancha que aparece no mar, sua extensão, a velocidade de seu deslocamento. Assinalado o cardume, lança-se ao mar rapidamente a canoa escalada para esse dia, dirigindo-se para o local indicado. A certa distância da praia começam a soltar a rede, presa a um cabo cuja outra extremidade ficou em terra, em mãos do “cabeiro”. A canoa descreve, então, um semicírculo, aproximando-se novamente da praia. Ao terminar o lançamento da rede, é trazida à terra a extremidade do cabo a ela preso. Encosta na praia a canoa e seus tripulantes, auxiliam por todos aqueles que aí se encontram, homens, mulheres e crianças, unem esforços na faina de puxar a rede para a terra. Realiza-se, então, o arrastão propriamente dito: a rede, cuja tralha de chumbo atinge o fundo, é arrastada para a terra trazendo consigo todos os peixes que tinham sido cercado no lance. É esta, em essência, a forma como se processa o arrastão de praia”.[1]

[1] BERNANDES, Lysia e BERNARDES, Nilo. A pesca do litoral fluminense. In: Anuário Geográfico do Estado do Rio de Janeiro. No. 08, Ano 1955, p.27-62.

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