Walcy

PESCADOR WALCY (CONTADOR DE CAUSOS)

 

O pescador Walcy Soares Neto é morador da Praia dos Anjos e mestre vigia da pesca de arrasto de beira da praia realizada por “canoas de boçarda” na Ilha do Farol, nos pesqueiros do Maramutá e na Pedra Vermelha. Sabe confeccionar e reformar redes de pesca tradicional. Oferta-se serviços de passeio em embarcação turística com a “contação de causos” sobre a pesca tradicional e a cidade.

Walcy Soares Netto, conhecido como “Walcy”, desde os 11 (onze) anos de idade aprendeu a pescar em “canoas de boçarda” como o seu pai Francisco da Silva Netto (apelido, “Chico Ne􀀶o”) e com os seus tios e primos no vigia da pedra do “Bem-te-vi” na Ilha do Farol; nos pesqueiros do “Maramutá” e na “Pedra Vermelha”.

Começou como cabeiro, cozinheiro, mestre da canoa e, por fim, mestre vigia. Todos da sua “Companha” pescam nas canoas “Pituca” (de 200 anos) e “Inhambu” (de 150 anos), no “dia da vez”, na Praia dos Anjos. Sendo, as mesmas, rebocadas pelo barco a motor chamado “Renascer” até a Ilha do Farol.

Sua “companha” é formada pelos “Mestres” Coco (Coquinho), Geraldo, Cosminho, Pinguim, Boloi, Tristeza, Joel, Wesley, Nâncio, entre outros. Para o pescador “Walcy”, “tradição tem a ver com a pesca de canoa de rede, que vem de muitos anos”.

Walcy é conhecido como um grande contador de causos sobre a pesca tradicional. Suas narrativas valorizam as pessoas, os lugares e os saberes tradicionais. Narra com desenvoltura e com riqueza de detalhes os fatos e os acontecimentos reais e imaginários. Utiliza-se dos sons da natureza, dos diálogos e da interpretação para envolver os ouvintes com infinitas estórias e causos: relata com humor a feitura da “engrossa” (comida a base de feijão com carne seca e farinha) e a prontidão do “burro da Ilha” para a hora do almoço. Há, ainda, o relato do chifre do “Bode do Chã” que ficou preso ao caldeirão da “engrossa”, entre tantos outros causos.

Fala com seriedade sobre o “medo” que provocava a “Luz da Ilha”, nas proximidades da antiga Figueira, perto do Sambaqui, para os antigos pescadores; ou mesmo, de tantas outras estórias sobre os vigias da pesca no vigia do “Bem-te-vi”.

Relata a pesca tradicional com os seus pesqueiros e as antigas façanhas do seu pai ao mar – no convívio, ensinamento e transmissão do “saber-fazer” – sobre os ventos, correntezas, luas, marés, tempestades e, fundamentalmente, quanto a qualidade e quantidade dos peixes de Arraial do Cabo.

Atende com dias e horários, previamente agendados. Contato: mestresabedores@gmail.com