Tamico

Tamico (Carpinteiro naval)

 

Altarmir Elias Canela (apelido, Tamico), nasceu em 1944 e trabalha desde adolescente no ofício de carpintaria naval, no entalhe de madeira e na confecção de miniaturas de embarcações tradicionais na Praia dos Anjos, em Arraial do Cabo. Seu pai e sua mãe vieram de Iguaba, nesta década. O seu pai trabalhava na cidade como comprador de peixe e, depois, tornou-se pedreiro, carpinteiro e mestre artesão. Nesta época, a família passara por muita dificuldade econômica.

O mestre Tamico aprendeu de forma autodidata o ofício de entalhador de madeira aos 12 anos de idade, e vendia as suas miniaturas de embarcações e de carrinhos para ajudar nas despesas de casa. Usa como ferramentas de trabalho diversos formões além de sutra, serrote, grampo, furadeira, lixadeira, esquadro etc., no seu pequeno paiol de pescador tradicional da Praia dos Anjos. Desde sempre, criava as suas próprias ferramentas e as adaptavas ao material reciclado – usando restos, sobras ou àquelas madeiras achadas nas praias – para fazer os diversos entalhes de peixes. Aos 15 anos de idade já participava das reformas de barcos de grande porte como os de boca aberta, as traineiras e de passeios turísticos.

Hoje, encontra-se afastado desta atividade devido a uma queda na reforma de uma embarcação. Mas se dedica nos dias úteis e de lazer a fazer letreiros, brasão de famílias, entalhes de peixes e a construção de caicos e barcos de apoio, além de fazer as suas poesias, versos, prosas e os pequenos pedacinhos de letras de músicas.

Ele não nasceu para ser pescador, pois tem consciência da vida difícil do ser pescador. São noites de frio, vento e chuva: “Eu gosto de tudo tranquilo… do mar quando está bem tranquilo; eu gosto do vento quando ele está quase sem vento. Por isso que eu digo do Arraial do Cabo é a cidade do ‘é-vento’. É vento para cá; é vento para lá… É vento Sudoeste, Nordeste e Lestada. Não nasci para isso não. Nasci para ser carpinteiro”.

Para Tamico, tradição é o que vem dos pais; da terra; dos bairros da gente e da gente do Arraial do Cabo. São àquelas coisas antigas: “É o saber que se manifesta para você não se esquecer. Está sempre lembrando daquelas coisas que você fez e que existiu aqui no lugar. Tradição está nos poetas, nos compositores, nos artistas, nos canoeiros, nos pescadores, nas rendeiras. Para mim, tudo isso é uma tradição. Penso assim, nas coisas antigas e que a gente não esquece na alma da gente. Tradição é tudo o que eu vivi: observando, vendo e ouvindo” – depoimento do Tamico.

O mestre Altarmir Elias Canela (apelido, Tamico), se dedica a carpintaria naval e ao entalhe em madeira. Faz letreiros de barcos, de condomínios e artesanato de peixes e de miniaturas de embarcações. Além de fazer e reformar caícos e barcos de apoio para grandes embarcações, entre outros serviços, no seu paiol da Praia dos Anjos. É, também, poeta e “contador de causos” sobre a gente da cidade e a carpintaria naval.

Atende o público de segunda a sexta, no horário comercial.

Agendamento no local. Localiza-se no paiol do Tamico, na Praia dos Anjos.