O Ateliê Coletivo Polvo do Mar

ATELIÊ COLETIVO POLVO DO MAR

 

O Ateliê Coletivo Polvo do Mar é formado por pescadores, mestres artesãos e poetas que buscam salvaguardar, transmitir e preservar a cultura local, a memória e o patrimônio da pesca tradicional. No Ateliê Coletivo oferta-se serviços de “contação de causos” com poesia e produtos artesanais em madeiras recicladas. No espaço há uma pequena mostra do trabalho artesanal, dos mesmos.

O Ateliê Coletivo Polvo do Mar surgiu por volta de 2016 a partir de um projeto de mitigação ambiental que envolvia homens e mulheres extrativistas da Praia da Prainha. É um coletivo aberto com uma divisão de trabalho, de atividade e de responsabilidade compartilhada e fortalecida entre os seus membros com objetivos de preservar a cultura tradicional. É formado por pescadores, mestres artesãos e poetas que buscam salvaguardar, transmitir e preservar a cultura local, a memória e o patrimônio da pesca tradicional.

O mesmo surgiu da necessidade de complementar e de gerar trabalho e renda através da confecção de miniaturas de “canoas de boçarda”, “caíco”, chaveiro e porta incenso, entre outros, com uso de material reciclado (como caixote, cabo de vassoura, palito de picolé, tiras de pvc etc.). Além de confeccionarem redes e petrechos da pesca com diversos materiais. Na confecção das miniaturas de embarcações, remos e cobertas os mesmos utilizam a caixeta que é uma madeira leve, resistente e de fácil manipulação ao escavar e talhar.

 

Atende o público aos sábados, no horário comercial. Agendamento no local. Localiza-se na Travessa José Plínio de Macedo, 63 – Prainha (Morro do Gambão).

Contato: mestresabedores@gmail.com

 

Poesia do “Caubo”

 

“Aqui em Arraial do Cabo

A gente nada, faz mariscada

E vive pertinho do mar

Bronzeia o corpo ao sol

Lá na Ilha do Farol

Vendo as gaivotas voar

Pesca de rede ou de linha

Toma banho na Prainha

Sente a pureza do mar

Que beleza gigante o entardecer da Praia Grande

Vendo o sol se pôr ao mar, vai à praia do Forno

Sem pensar em retorno

Pois, quem quer do paraíso voltar,

Vê uma lua redonda

Ilumina uma onda que na areia vai se desmanchar

Aluga um barco de passeio na Praia dos Anjos

Pode ser ele criança ou marmanjo

que de tanta beleza vai se encantar

Navega de canoa

e nunca vi terra tão boa

como é gostoso em Arraial morar”.

 

Poesia do Caó, interpretada pelo poeta Apulinário.

 

A Roseira

 

“Existia uma roseira linda, sozinha, lá no fundo do jardim

Um dia, ela disse ao jardineiro:

Ei, psiu, não quero mais ficar aqui!

Quero para mim, outro canteiro, bem no centro do jardim

O jardineiro pensou, calculou, viu a terra

e um muro a sombrear

e constatado não ser possível, a roseira transportar

Mas tanto fez a egoísta roseira que o pobre jardineiro

a plantou noutro canteiro

A vida no jardim continuou

Mas passara alguns anos e a pobre da roseira murchou

E, todo o povo que passava, lá no fundo do jardim

Lamentava, bem assim:

A roseira linda que aqui estava, quem a arrancou

e o pobre jardineiro, discreto, o seu segredo guardou

Coitada da Roseira, ela mesmo se acabou”.

 

Poesia do Apulinário, membro do

Ateliê Coletivo Polvo do Mar.